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Município de Pato Branco promove ações de combate ao mosquito Aedes aegypti

O trabalho é constante, mas nas estações quentes as equipes da Vigilância Ambientalintensificam as ações de combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti

O verão chega e, com ele, o calor e a chuva, fatores climáticos que garantem a sobrevivência de uma espécie que buscamos extinguir: o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika vírus, chikungunya e da febre amarela urbana. Para combatê-lo, equipes da Vigilância Ambiental do Município de Pato Branco realizam trabalhos constantes de vistorias nos estabelecimentos domésticos e comerciais, bem como, orientações sobre formas de prevenção.

Pato Branco possui 38.378 imóveis, que são visitados regularmente pelos agentes de combate a endemias. Paralelamente a essas vistorias, são elaborados relatórios por bairros, tendo por referência 10% do total de imóveis e, bimestralmente, são realizados levantamento de índices, onde se avalia o nível de infestação, ou seja, a quantidade de larvas encontradas no período de 7 dias. Isso serve para o monitoramento do ambiente e, consequentemente, avaliar o risco de epidemia, como explica o coordenador da Vigilância Ambiental de Pato Branco, Rodrigo Bertol.

“Realizamos as atividades em ciclos e, neste primeiro de 2017, que ocorreu de 11 a 19 de janeiro, com equipe de 25 agentes ao dia, foram vistoriados 4.206 imóveis. Dos dados apurados, foi constatado que Pato Branco está com 0,33% de índice de infecção, um valor que é considerado satisfatório. Porém, o auge da proliferação do mosquito são os meses de março, abril e maio,” contou Rodrigo.

Ainda de acordo com os dados levantados pelos agentes, o local onde elas são mais encontradas, são em entulhos, sucatas, plásticos, recipientes e lixo. “Precisamos lembrar que a presença da larva não significa necessariamente que o mosquito transmitirá as doenças. Para que ele transmita doenças, é necessário que entre em contato com o vírus, ou seja, que pique alguém infectado. Lembrando que apenas um mosquito, pode picar mais de 100 pessoas,” ressalta Rodrigo.

Conforme dados da Secretaria de Saúde, de janeiro a maio de 2016, foram 52 casos de dengue autóctone, outros 22 de dengue importada e mais 6 sem identificação da fonte de infecção porém, desde junho de 2016 não houveram casos registrados de dengue em Pato Branco. O resultado se deve a ações constantes desenvolvidas em conjunto por profissionais de diversos setores do Município. “São desde ações da Secretaria de Saúde, através da Vigilância Ambiental e de profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF), até a Secretaria de Meio Ambiente e Secretaria de Educação”, afirmou a secretária de Saúde, Antonieta Chioquetta. Ela solicita, ainda, um maior engajamento por parte da população, onde todos assumam o papel de protagonistas no combate ao mosquito e eliminem possíveis criadouros.

As visitas

A rotina dos agentes de combate a endemias envolve muita caminhada e diálogo. Após a autorização do morador, os agentes visitam a propriedade e procuram por recipientes que possam juntar água, como garrafas, latas, bacias, bebedouro de animais e até mesmo calhas com folhas ou piscinas (lonas e pneus) sem tratamento adequado. Ao constatar alguma irregularidade, o morador é orientado.

“É preciso ter em mente que os ovos do mosquito, mesmo sem água e sob o sol forte, resistem por até um ano e com apenas três gostas d´água ele eclode e, de cinco a sete dias na água, evolui de larva para pupa e aí para mosquito. O mosquito sobrevive por até 30 dias, se reproduzindo e, se picar uma pessoa que possui o vírus, ele se tornará um transmissor da doença”, explicou o agente de combate a endemias Rafael Alfredo Botura.

Ao encontrar recipientes com água e que possuam larvas de mosquitos, os agentes coletam amostras dessas larvas, para verificar se são do mosquito Aedes aegypti ou outros. “Após a coleta das larvas, quando possível eliminamos o foco, jogando essa água fora, por exemplo. Quando não é possível, realizamos o tratamento com larvicida, mas este só tem eficácia enquanto o mosquito está na fase de larva, após ele se tornar pupa, já não possui atuação”, explicou Renata Brusamarello, também agente de endemias.

A cada visita, a equipe orienta e tira dúvidas. “Muitas pessoas esquecem, por exemplo, de tapar os ralos com uma tela ou de que as geladeiras que descongelam automaticamente, podem reter água no reservatório. Nós fazemos essas orientações e, ainda, esclarecemos alguns equívocos, como a utilização da água sanitária, que não possui eficácia alguma no combate ao mosquito, pois ela evapora sem eliminar o mosquito”, informou Renata. Que também chama a atenção para árvores que possuem troncos e galhos ocos e raízes que acumulem água.

Para Tereza Florão Mittmann, moradora do bairro Pagnoncelli, o empenho precisa ser contínuo. “É necessário estar sempre vigilante, evitando água parada nos recipientes deixando-os sempre virados para baixo ou cobertos, cuidar dos vasos de flores e seguindo as informações que são repassadas pela mídia e pelos agentes que nos visitam. Aliás, a presença deles é muito importante, pois serve para corrigir os hábitos errados, mas também valorizar nossos acertos”, afirma Tereza.

Parcerias entre as secretarias

Além da Secretaria da Saúde, profissionais de outros departamentos municipais também desenvolvem um trabalho constante para eliminar possíveis criadouros. A secretaria de Meio Ambiente realiza, periodicamente, a coleta de entulhos. “Temos funcionários responsáveis por esses trabalhos de limpeza, eles estão sempre nos bairros de nossa cidade recolhendo materiais descartados pela população. Mas só conseguiremos maior eficácia quando a população também fizer parte dessa luta, principalmente, não utilizando terrenos baldios como depósitos”, disse Nelson Bertani, secretário de Meio Ambiente.

Já a secretaria de Educação e Cultura realiza diversos trabalhos de conscientização com os alunos em sala de aula. “Fazemos isso porque educação ambiental faz parte do nosso conteúdo escolar e, além deles aprenderem como é a forma correta de combater o mosquito, como acontece o contágio e quais os sintomas das doenças transmitidas, ainda reproduzem esses ensinamentos em casa, aos pais, avós, tios e até vizinhos”, pontua a secretária de Educação e Cultura, Heloí De Carli.

Sintomas e vacinação

É preciso estar atento e buscar atendimento médico ao sentir os sintomas que caracterizam as doenças transmitidas pelo mosquito, pois eles são similares, tanto na dengue, zica e chikungunya quanto na febre amarela. Dores nos músculos, abdômen, atrás dos olhos, nas costas, nos ossos e nas articulações; febre, fadiga, mal-estar, perda de apetite, tremor ou suor e, também, dores de cabeça, erupção vermelha e náusea, são sinais que devem ser investigados imediatamente.

Com relação a dengue, zica e chikungunya, a vacina ainda está sendo pesquisada e desenvolvida, mas contra a febre amarela há vacinação e, recentemente, em virtude de surtos que estão acontecendo em alguns estados do Brasil, a Secretaria de Saúde divulgou uma campanha para ressaltar a importância da mesma, tendo em vista que o número de pessoas que procuram essa imunização está abaixo do esperado.

A vacina contra febre amarela pode ser aplicada a partir dos nove meses de idade e, que ainda não a recebeu, basta ir até a Unidade Central de Saúde, junto ao antigo Pronto Atendimento Municipal (PAM), nas terças e quintas-feiras, e, nas demais Unidades de Saúde, nas quartas-feiras. Essa metodologia é realizada para otimizar a utilização, pois cada ampola possui dez doses e as não aplicadas precisam ser descartadas. Mais informações sobre vacinação, através do (46) 3902-1266.