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Combate ao tabagismo coloca Pato Branco em estudo internacional

O trabalho de controle e prevenção ao tabagismo realizado pela Secretaria Municipal de Saúde de Pato Branco está sendo referência em uma pesquisa internacional que visa diminuir a incidência de mulheres fumantes. A Universidade do Alabama em Birmingham, Estados Unidos, desenvolve o projeto em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), com a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), compreendendo oito cidades do Estado, incluindo Pato Branco.

Nesta segunda-feira, dia 15, agentes comunitárias das unidades de saúde dos bairros Planalto, Pinheirinho e Novo Horizonte foram capacitadas por docentes dos dois países envolvidas no projeto. A proposta é que as Equipes de Estratégia, Saúde da Família (ESF) identifiquem e contribuam para que além de deixarem o vício, as mulheres permaneçam longe do cigarro. Nesta primeira etapa, 1.800 pato-branquenses serão entrevistadas e, destas, 60 participarão do estudo.

A ideia é identificar se a intervenção das agentes comunitárias contribuirá para a abstinência. “Hoje, o índice de mulheres que voltam a fumar é de mais de 70%. As agentes comunitárias, que já têm uma relação pessoal com essas mulheres, podem ser um apoio, onde além de promover a cessação e prevenir a recaída, podem auxiliar o trabalho do médico”, esclarece professora da escola de Medicina da Universidade do Alabama em Birmingham, Isabel Scarinci, que há mais de 20 anos desenvolve estudos relacionados à saúde da mulher.

Dos oito municípios paranaenses escolhidos – Londrina, Cambé, Maringá, Curitiba, Irati, Rolândia, Apucarana e Pato Branco – quatro implementarão o acompanhamento das agentes de saúde, dentro da proposta do projeto, e os demais permanecerão com as diretrizes preconizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).  São as chamadas cidades de “intervenção” e “controle”, conforme explica a professora do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da UEL, Nádia Kienen.

“Vamos avaliar se a atuação das agentes de saúde fará a diferença no tratamento, comparando os resultados de um município para outro. Se Pato Branco for uma das cidades de intervenção, faremos outra capacitação em novembro, com 16 horas, para que as agentes aprendam a motivar as mulheres a parar de fumar e permanecer na cessação. Essas mulheres terão acompanhamento de 6 meses, com intervenções junto aos lares”, ponderou Nádia.

Por que Pato Branco?

“Escolhemos Pato Branco em virtude do trabalho desenvolvido na cidade, que está entre as mais ativas do Paraná nesse programa de cessação do tabagismo, apresentando uma taxa de sucesso muito grande. Optamos por cidades campeãs, com potencial e estrutura para desenvolvermos a pesquisa”, justifica Isabel, que é paranaense e atua nos Estados Unidos há 25 anos.

Em Pato Branco, as ações do Programa Municipal de Controle do Tabagismo foram ampliadas e, desde o ano passado, o atendimento é ofertado em todas as unidades de saúde dos bairros – o Município oferece tratamento e medicação gratuita para quem quiser parar de fumar. Além disso, a cidade passou de 33% para mais de 80% de abrangência das Equipes de Estratégia, Saúde da Família, chegando a 17 equipes.

“Essa pesquisa avaliará a situação das mulheres fumantes em Pato Branco. Isso reduzirá agravantes ocasionados pelo tabagismo, que comprometem a saúde da mulher. Somos destaque em mais uma área e isso vem em boa hora, justo quando estamos implantando o curso de Medicina, onde a gestão está focada na humanização e qualidade de vida das pessoas, conforme prioriza o prefeito Zucchi”, reforçou a secretária de Saúde de Pato Branco, Antonieta Chioquetta.

De acordo com o coordenador do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, o médico Roberto Yamada, a média de cessação de tabagismo registrada em Pato Branco é de 60% – acima da meta preconizada pelo Ministério da Saúde, que é 30%. Contudo, é preciso manter a prevenção, uma vez que mais de 50 tipos de doenças crônicas não transmissíveis estão diretamente relacionadas ao hábito de fumar.

O médico ressalta que a participação no estudo contribuirá para implementar as ações desenvolvidas no Município.  “Tudo o que é feito em tratamento e prevenção deve ser embasado em trabalho científico. O Município está contribuindo neste estudo que apontará as ações que funcionam e o que pode ser feito para melhorar. Além disso, a mulher começa a fumar mais cedo que o homem, ainda é minoria, mas é o público que mais participa dos grupos de tratamento”, destaca Roberto Yamada.

Estudo

As ações da “Rede Paranaense para Controle do Tabagismo em Mulheres” resultam de um edital de fomento lançado pelo governo norte-americano, que está financiando 14 pesquisas em diferentes países. O estudo que compreende o Brasil, desenvolvido nas cidades paranaenses, é o único que foca o tabagismo em mulheres. “Falta pesquisa em gênero para as mulheres. O Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo, sendo que 95% da produção do país está nos três estados do Sul. Além disso, a prevalência de mulheres fumantes também está nesses estados brasileiros”, completou Isabel.

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